PSICOLOGIA: UM OLHAR PROFISSIONAL ÉTICO E HUMANO NA COMUNIDADE INHUMENSE – Por Michele B. Souza e Osvaldo José Sobral

Desde a Filosofia Clássica, na Grécia Antiga, filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, e mesmo alguns que os antecederam, já refletiam a respeito de fenômenos psicológicos que hoje constituem os objetos de investigação científica da Psicologia. Assim, conceitos como percepção, razão, consciência, dentre outros, já eram conhecidos. Entretanto, apenas no final do século XIX é que a Psicologia ganhou status de ciência na medida em que se “libertou” da Filosofia e, ao ser desenvolvida sob esse rigor científico, passou a definir seu objeto de estudo (o comportamento, a vida psíquica, a consciência, dentre outros) e a delimitar seu campo de pesquisa e áreas de atuação profissional.

No Brasil, desde o final do século XIX, já existiam práticas profissionais relacionadas à Psicologia, porém vinculadas a outras áreas, como a Psiquiatria, com atividades voltadas à saúde mental, ou ao trabalho de recrutamento e seleção de pessoas, direcionados às organizações (empresas, indústrias e instituições em geral). Não obstante, somente a partir da promulgação da Lei nº. 4.119, de 27 de agosto de 1962, é que a Psicologia foi regulamentada como profissão, sendo, para tanto, estabelecido um currículo mínimo para os cursos de graduação em Psicologia no território brasileiro. E, posteriormente, a Lei nº. 5.766, de 20 de dezembro de 1971, que instituiu o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e os Conselhos Regionais de Psicologia (CRP), iniciando, assim, seu processo de legitimação como ciência e profissão.

Desde então, a legislação vem se ampliando e aperfeiçoando por intermédio de outras leis, decretos leis, artigos, estatutos e resoluções, que legitimam não só a categoria dos profissionais da Psicologia, mas, também, a cidadania e o bem-estar biopsicossocial de uma população tão carente de justiça e dignidade social como a sociedade brasileira.

Como toda ciência e profissão, a Psicologia no Brasil possui seu Código de Ética Profissional, que foi aprovado no ano de 1987, e atualizado em 2005. Tal código de ética atende às necessidades e fundamentações básicas da categoria, porém não contém todas as respostas e preceitos, pois não pretende “aprisionar” os profissionais e, sim, orientá-los em duas dúvidas e possíveis dilemas inerentes à imprevisibilidade das questões relacionadas à ciência e atividade psicológica.

Representada pelo CFP e CRPs nessas últimas cinco décadas, a Psicologia no Brasil vem elaborando resoluções decorrentes de propostas discutidas em ciclos de debates, encontros, congressos, seminários, simpósios, fóruns e plenárias que discutem questões, como: a Luta Anti-Manicomial, as reformas no sistema penitenciário, a atuação pela humanização do trânsito e a diminuição da violência urbana e doméstica, o combate às discriminações etino-culturais, de gênero e orientação sexual, entre outras. Toda essa mobilização está relacionada ao compromisso social da Psicologia, como ciência e profissão, e vem produzindo conquistas vinculadas, especialmente, à garantia dos Direitos Humanos e a proteção das minorias, historicamente, esquecidas e sem privilégios. E, ao promover projetos e atividades direcionadas a essas causas, consequentemente, a Psicologia intensifica a sua própria legitimação científica e promove o seu fortalecimento como categoria profissional.

Nesse sentido, na atualidade, é cada vez mais notório que a educação faz o cidadão. Como bem lembrou o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Por isso, a implantação do curso superior de bacharelado em Psicologia, na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Câmpus Inhumas, é mais um passo importante para a formação de mais profissionais orientados à cidadania, à ética e ao profissionalismo de qualidade.

É válido ressaltar que esse é o primeiro curso de Psicologia da UEG. Para tanto, o Câmpus Inhumas está se preparando para oferecer um curso com toda essa envergadura, seus pontos fortes, as oportunidades que propiciará para muitas pessoas, e ciente dos benefícios que o curso trará a toda a comunidade inhumense.

De fato, o curso virá complementar a área das humanidades no município, juntamente com o curso de Letras e Pedagogia, ampliando o leque de possibilidades para a comunidade acadêmica, destacando uma característica do Câmpus Inhumas: ser uma Universidade que olha para além dos muros e para o que pode oferecer para os discentes, os docentes, os colaboradores e a comunidade em geral.

O curso de Psicologia conta com um corpo docente capacitado para atuar e oferecer uma educação inclusiva, interdisciplinar e de qualidade para alavancar oportunidades para a comunidade. O curso, também, apresenta uma matriz curricular diversificada para contemplar não somente teorias e modelos em voga no mercado, mas que pretende oferecer uma formação que permita aos futuros psicólogos desenvolverem um sentido ético e humano para as suas atuações profissionais, pois um currículo de valor é construído com “conhecimentos, habilidades e atitudes” (Idalberto Chiavenato).

Portanto, conhecimentos e habilidades formam profissionais eficientes, atitudes formam profissionais eficazes, e como afirma o fundador da Psicologia Analítica, o psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961): “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.

* Graduada em Letras (UFG), Bacharel em Informática (IFG), pós-graduanda em Big Data e Machine Learning, na FASAM, e atua como Analista de Gestão Administrativa e Coordenadora de Comunicação, na UEG – Campus Inhumas.

* Psicólogo e Mestre em Educação. Docente da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Câmpus Inhumas, e assessor dos cursos de bacharelado da Coordenação de Ensino/Pró-Reitoria de Graduação (CE/PrG).

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